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Poema inédito de Jorge Lúcio de Campos
INTERRUPÇÃO DE UM SEGUNDO
a Paul Auster
Nada muito perto ou de longe. Uma
vida dentro de nós
Diz-se que não se disse que era
um fóssil, um espaço vazio de
homens
(Continua)
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h23
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Não há trapaça ou delação que salve
o homem. Um vermelho de galáxia –
um instante zero sem
pistas. Não há vida nas pistas
Apenas a sombra do homem sorrindo
como se houvesse luz
O resto é floresta úmida
Jorge Lúcio de Campos nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1958. É autor dos livros de poesia Arcângelo (1991), Speculum (1993), Belveder (1994), A dor da linguagem (1997) e À maneira negra (1998), além de volumes de ensaios.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h22
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Poema de Michel Houellebecq
Você falava sobre sexualidade, relações humanas. Será mesmo? Um burburinho nos envolvia; palavras pareciam sair de sua boca. O trem penetrava num túnel. Com um pouco de trepidação, um pouco de atraso, as luzes do compartimento acendiam. Eu detestava sua saia plissada, sua maquiagem. Você era enfadonha como a vida.
Tradução: Leonardo Gandolfi e Vanessa Massoni
Tu parlais sexualité, relations humaines. Parlais-tu vraiment, en fait ? Un brouhaha nous environnait ; des mots semblaient sortir de ta bouche. Le train pénétrait dans un tunnel. Avec un lérger grésillement, un lérger retard, les lampes du compartiment s’allumèrent. Je détestais ta jupe plissée, ton maquilage. Tu étais ennuyeuse comme la vie.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h17
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Poema de Daniel Lima
Foto
mostre a simplicidade às avessas afasta deixa ser digna a casa
não mova um passo não mexa os olhos
tudo fica sensível com a chuva
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 12h17
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RADIO, LIVE TRANSMISSION POR VIRNA TEIXEIRA
“We would have a fine time living in the night,
Left to blind destruction,
Waiting for our sight.”.
Ian Curtis foi uma dessas raras aparições, meteóricas e revolucionárias no universo da música pop. Junto com Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris formou uma das maiores bandas de todos os tempos, o Joy Division, banda que a tornar-se a lendária “New Order” após sua morte.
O Joy Division nasceu no final da década de 70, na atmosfera pós-punk da industrial Manchester, na Inglaterra. A cidade não estava no cenário internacional da música como hoje e o Joy Division não era exatamente uma banda punk, mas era diretamente inspirada pela energia da música punk. Como o punk, eles usaram a música pop como forma de mergulhar no inconsciente coletivo. A banda cresceu numa época em que as informações corriam de boca em boca e foi a mola propulsora de uma das casas noturnas mais bem sucedidas da história, a Factory, de Tony Wilson.
Continua
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h08
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Ian Curtis não era um letrista comum, e era tão extremo que “quando tinha um interesse, esse interesse tornava-se uma vocação”. Leitor de poesia, cinéfilo, grande admirador de David Bowie, Iggy Pop, Roxy Music, Lou Reed e do Velvet Underground, Ian Curtis tinha também um flair para o palco, para o drama. Segundo sua viúva, Deborah Curtis, sua maior paixão após a música eram as roupas. Economizava seus trocados como vendedor da Rare Records para comprar uma jaqueta de couro vermelho, ou um xale com estampa de onça. Ferocidade que carregava para o palco. Suas performances eram tão intensas que ninguém conseguia deixar a sala de concerto. Ian era epiléptico e a impressão era de que estava possuído no palco – por algo que beirava uma crise, violenta.
Junto com a melodia sombria e explosiva da banda, as letras de Ian traziam à tona sua natureza melancólica, sua instabilidade emocional, o flerte com a morte e com as relações destrutivas. Talvez tivesse um ego frágil como o de uma personalidade limítrofe, que enxerga o outro lado e criptografa suas visões.
You’ve been seeing things,
In darkness, not in learning,
Hoping that the truth will pass.
(No love lost, 1977)
O Joy Division apresentou-se pela última vez em 1980, em Birmingham. A banda já estava famosa e às vésperas de partir para sua turnê americana, quando Ian suicidou-se num sábado à noite, aos 23 anos de idade, após passar o dia inteiro assistindo filmes de Werner Herzog e ouvindo Iggy Pop. Até o final, manteve o cenário noir em suspenso. Ian Curtis era um ator. Com declarou Steve Morris:
“If he was depressed, he kept it from us”.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h04
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Dez coisas para não se esquecer de lembrar quando for fazer poesia por Ademir Assunção
1. A música mágica e a conjuração parecem ter sido a forma primitiva e origem de toda a poesia. O homem acostumou-se durante milênios com a conecção do idioma com o ritmo da música. O poder mágico da dicção rítmica tem sido paulatinamente esquecido. Distanciamo-nos cada vez mais de nossas origens (Friedrich Nietzsche). 2. A maioria das pessoas não vê o que está acontecendo à sua volta. Esta é a minha principal mensagem para os escritores: pelo amor de deus, mantenham seus olhos abertos (William Burroughs). 3. Posso ser um estrangeiro, isto não discuto, um estranho - mas se necessário vomitarei até o estômago para provar que sou humano, ou quase, tanto quanto se pode ser nestes dias trágicos (Campos de Carvalho). 4. O grande mal do século 20 é a incapacidade de sentir. As pessoas adoram TV, óperas pasteurizadas, cinema, teatro, ídolos da música pop, e possuem um forte contingente emocional projetado a símbolos. Mas, no que diz respeito a suas próprias vidas, estão mortos (Jim Morrison). 5. Deitei fora a máscara e dormi no vestiário/ Como um cão tolerado pela gerência (Fernando Pessoa). 6. O que é a terra devastada? É a terra em que todos vivem uma vida inautêntica, fazendo o que os outros fazem, fazendo o que são mandados fazer, desprovidos de coragem para uma vida própria. Isso é a terra devastada (Joseph Campbell). 7. A educação, a mídia e os negócios treinam os indivíduos para seguir os passos daqueles que já chegaram lá. Os empreendedores geralmente sabem que seguir os passos de alguém leva aos mesmos lugares onde outros já chegaram. Poucas descobertas, se há alguma, resultam da conformidade (Wilson Bryan Key). 8. Aqueles das Tribos-Pássaros que não ousaram, deixaram como herança para os futuros filhos da terra a qualidade do medo, que, com o movimento das estações, foi se tornando um espírito que se agarrou nos ossos do humano, gerando tempos depois as diversas formas de escravidão (Kaká Werá Jecupé). 9. Nunca se escreveu poesia de boa qualidade usando um estilo de vinte anos atrás, pois escrever dessa maneira revela que o escritor pensa através de livros, convenções e clichês, e não a partir da vida (Ezra Pound). 10. De tudo o que se escreve, aprecio somente o que alguém escreve com seu próprio sangue (Friedrich Nietzsche).
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h34
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Paul Auster por Rodrigo Garcia Lopes
TESTEMUNHO
No trigo alto do inverno
que nos levou através
dessa terra de ninguém,
nas cópulas de nossa raiva
sob essas ervas brancas sem nome,
e por hospedar, perpetuamente,
uma flor no inferno, falarei a você
do abrir de meu olho
para além do ser,
de meu ser além do ser
só alguém,
e como poderia absolvê-la
desse segredo, e provar pra você
que não estou mais só,
que não estou
nem mesmo perto
de mim.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 22h49
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TESTIMONY
In the high winter wheat
that blew us across
this no man´s land,
in the couplings of our anger
below these nameless white weeds,
and because I lodged, everlastingly,
a flower in hell, I tell you
of the opening of my eye
beyond being,
of my being beyond being
only one,
and how I might acquit you
of this hiddenness, and prove to you
that I am
no longer alone,
that I am not
even near myself
anymore.
De Fragments from the Cold (1976-1977)
Rodrigo Garcia Lopes traduziu Rimbaud, Sylvia Plath, estes com Maurício Arruda Mendonça, Laura Riding e outros. Sua mais recente tradução, pela editora Lamparina, é O navegante, poema anônimo anglo-saxão do século IX.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 13h06
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