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Um ensaio sem palavras por Eric Stanton

Escrito por Leão Alves Gandolfi às 22h40
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Poetas de Israel – Haim Guri
Vida de empréstimos
Vida de empréstimos a curto prazo.
Vida sem economia.
Vida intermediária.
Vida furtiva e frágil
trazida para o quarto como um roubo
examinada entre os dedos à luz de uma lamparina.
Vida cheia de suposições
explicada com gestos e finas alusões.
Vida solitária
caindo aos pés
de uma vida pálida e transparente.
Vida comum pelos sonhos.
Vida que não é longa.
Vida na zona neutra
entre os ataques
de coração.
Do livro Poesia de Israel, com traduções de Cecília Meireles, publicado em 1962 pela editora Civilização Brasileira. Esta edição foi comprada em um sebo por apenas oito reais. Aos poucos, vamos publicar aqui outros poetas; prometemos mais já para a próxima semana. Haim Guri foi traduzido também por Haroldo de Campos. (Franklin Alves).
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 00h07
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Trata-se aqui de um tigre mecânico capturado pelos britânicos em Seringapatan, 1799, quando o sultão Tipu, soberano de Mysore, sul da Índia, foi derrotado e morto. Marianne Moore, a partir disso, fez um poema chamado "Tigre de Tippoo", texto este que eu e Virna Teixeira estamos, ao poucos, trazendo para português.
Leonardo Gandolfi
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 20h15
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Poema de Marianne Moore
Tippoo’s Tiger
The tiger was his prototype.
The forefeet of his throne were tiger’s feet.
He mounted by a four-square pyramid of silver stairs converging as they rose.
The jackets of his infantry and palace guard
bore little woven stripes incurved like buttonholes.
Beneath the throne an emerald carpet lay.
Approaching it, each subject kissed nine times
the carpet’s velvet face of meadow-green.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 20h10
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Tipu owned sixteen hunting-cats to course the antelope
until his one great polecat ferret with exciting tail
escaped through its unlatched hut-door along a plank
above a ditch; paused, drank, and disappeared –
precursor of it master’s fate.
His weapons were engraved with tiger claws and teeth
in spiral characters that said the conqueror is God.
The infidel claimed Tipu’s helmet and cuirasse
and a vast toy, a curious automaton –
a man killed by a tiger; with organ pipes inside
from which blood-curdling cries merged with inhuman groans.
The tiger moved its tail as the man move his arm.
This ballad still awaits a tiger-hearted bard.
Great losses for the enemy
can’t make one’s loss less hard.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 20h08
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Trecho de TODOS OS CACHORROS SÃO AZUÍS por Rodrigo de Souza Leão
Você é um caso perdido. Você é um idiota, você é gordo e escroto. Você só fala isso por que eu estou amarrado.
Tudo ficou dourado. O céu dourado. O Cristo dourado. A ambulância dourada. As enfermeiras douradas tocavam-me com suas mãos douradas.
Tudo ficou azul: o bem-te-vi azul, a rosa azul, a caneta bic azul, os trogloditas dos enfermeiros.
Tudo ficou amarelo. Foi quando vi Rimbaud tentando se enforcar com a gravata de Maiakovski e não deixei:
— Pra que isso Rimbaud? Deixa que detestem a gente. Deixa que joguem a gente num pulgueiro. Deixa que a vida entre agora pelos poros. Não se mate irmão. Se você morrer não sei o que será de mim. Penso em você pensando em mim. Rimbaud tudo vai ficar da cor que quer. Aqui não dá pra ver o mar. Mas você vai sair daqui.
Tudo ficou verde da cor dos olhos de meu irmão e da cor do mar. Do mar. Rimbaud ficou feliz e resolveu não se matar.
Tudo ficou Van Gogh: a luz das coisas foi modificada.
Enfim, me deram uns óculos. Mas com os óculos eu só via as pessoas por dentro.
Na íntegra em http://www.revistazunai.com.br/contos
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 21h50
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CHAVE DE FENDA
Pactuar com jaguares e seus caninos, sol ácido na tela de cristal líquido. Tudo são imagens mentais, as flores de plástico no vaso da sala e os olhos miúdos do nômade tunisiano. Tudo é inútil. Perfurar a parede com a furadeira, limpar suavemente o pó da superfície e fazer o encaixe do parafuso, na altura calculada. Pensar em topázios fecais, em leões alados e numa princesa-serpente de enormes tetas, vestida de luz violeta. Torcer os punhos, os calcanhares. Revirar os olhos. Parafusar com a chave de fenda a cabeça de metal do touro minúsculo e então pendurar no lugar do retrato a sua própria medula óssea, recém-arrancada.
Do livro Figuras metálicas de Claudio Daniel, que será lançado amanhã, quarta-feira, dia 15 de junho, a partir das 19 horas, na Casa das Rosas, Avenida Paulista 37, Sampa. Figuras metálicas sairá pela editora Perspectiva, na coleção Signos, que foi dirigida por Haroldo de Campos, e reúne os três livros que Claudio Daniel publicou e o inédito Pequenas aniquilações.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 23h02
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Bob Dylan, trechos de Crônicas – volume 1 (editora Planeta, 2005)
Balzac por Bob Dylan
“Gostei bastante de Balzac, o romancista francês. Sua filosofia é clara e simples, diz basicamente que materialismo puro é uma receita para a loucura. O único conhecimento verdadeiro para Balzac parece estar na superstição. Tudo é objeto de análise. Concentre sua energia. Esse é o segredo da vida. Pode-se aprender um bocado com o senhor B. É engraçado tê-lo por companhia. Ele veste um manto de monge e bebe xícaras infindáveis de café. Sono demais embota a mente dele. Um dente cai, e ele pergunta: “O que significa isso?”. Questiona tudo. Suas roupas pegam fogo em uma vela. Ele se pergunta se o fogo é um bom sinal. Balzac é hilário”.
Jean Genet por Bob Dylan
“A realidade não era tão simples, e todo mundo tem seu jeito pessoal de lidar com ela. O balcão, peça de Jean Genet, estava em cartaz no Village e retratava o mundo como um bordel gigantesco onde o caos comanda o universo, onde o homem está sozinho e abandonado em um cosmos sem sentido. A peça tinha uma forte noção de foco e, pelo que eu tinha visto do período da guerra civil, poderia ter sido escrita há cem anos. As canções que eu escreveria seriam assim também. Não se amoldariam a idéias modernas”.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 19h22
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