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Entrevista com José Paulo Paes – Por Rodrigo de Souza Leão
Rodrigo: O que busca na infância para a elaboração dos seus poemas?
José Paulo Paes: Não creio que se trate de uma busca deliberada. A rigor, o poeta não escreve o poema: o poema é que se escreve através dele. Não que o poeta escreva às cegas, como um médium em transe. Mas a minha experiência me indica que o embrião do poema nasce por si, fruto de uma intuição ou inspiração. À artesania do poeta compete levar o embrião até o fim. As mais das vezes, tal embrião é feito de uma ou mais proteínas da infância. Todavia, só descobrimos a posteriori, quando o poema se completa.
[Conferir a entrevista na íntegra no sítio do Balacobaco: http://www.geocities.com/SoHo/Lofts/1418/entrevistas.htm]
Um poema de José Paulo Paes
Lição de coisas
Uma nêspera branca!
Transtornou-se acaso a ordem do universo?
Mordo-lhe a polpa: o mesmo
gosto das nêsperas amarelas.
Tudo é superfície.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 14h28
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Elvis Costello é algo entre o punk, o new wave, o pós-punk e outras coisas mais. Trilhou alguns caminhos, muitos, desde o soul até a música de câmara. E é um dos artistas britânicos mais interessantes em atividade, pelo menos desde meados dos anos oitenta. Em 1998, Costello se uniu a Burt Bacharach, uma lenda viva da música americana, e juntos gravaram Painted From Memory. O resultado, simplificando, é uma pequena mistura de Proust com Maiakovski. Só que dos dois, não sei bem quem é Maiakovski nem quem é Proust. Sei apenas que algo diferente ali ocorre. A boa música agradece.
(LG)
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 15h47
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Entrevista com Horácio Costa – Por Rodrigo de Souza Leão
Rodrigo: Em muitos dos seus poemas há a presença da astronomia. É mais fácil falar das estrelas, do cosmos do que dos humanos? Ou a busca pela metáfora é uma viagem pelo desconhecido espaço sideral?
Horácio Costa: Você está dando uma das possíveis respostas. Mas a sua interpretação é demasiado metafórica. Como muitos intelectuais do século presente, eu sou fascinado pela cosmologia. Não há um mês que eu não leia algo sobre ela. Não entendo muito o que leio, principalmente as formulações teórico-matemáticas. Mas os conceitos que a cosmologia maneja são fundamentais para mim, para o meu viver poético. No livro dos Fracta, a cosmologia – as várias vertentes da cosmologia contemporânea, melhor dito – fornecem o grande intertexto, para lá das citações ou mesmo das colagens que remetem ao universo mais propriamente literário. A interação entre ciência e arte, é cada vez maior quando se pensa na “grande arte”, que acompanha a ponta das pesquisas no primeiro mundo, foi o que eu tinha na mente ao lançar os meus fragmentos. Não se deve esquecer também que eu segui a esteira de Severo Sarduy, a quem o livro está dedicado, que em Paris mantinha semanalmente um programa radialístico sobre cosmologia na ORTF, o que não lhe impediu de escrever algumas obras literárias mais importantes da América Latina no século XX.
[Conferir a entrevista na íntegra no sítio do Balacobaco: http://www.geocities.com/SoHo/Lofts/1418/entrevistas.htm]
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 15h52
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Poema de Ana Peluso
(um dos lados)
corvos. nos comem as vísceras
e não morrem nunca
senhores sacerdotais
cuidando do templo e do mundo
de pilares e pirâmides econômicas
(ouro
a g r a n e l )
astroenormes enlaces nas bolsas
de couros blushs e frissons
(o pó do pó da poeira
- a prova Eistein)
(ouro de tolo é não ler a entrelinha
que vai do antepasto ao prato principal)
deles, toma-se por retrato último
o arroto da suprema verdade
ante a nefasta consideração
de que o vôo pressupõe toda espécie
de morte
e una luz se apagará
de repente
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 19h54
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Entrevista com Lobão - por Rodrigo Souza Leão
Rodrigo: Antes os jovens cresciam com Chico [Buarque], Caetano [Veloso]... Depois Lobão, Renato [Russo], Cazuza... E agora José?
Lobão: O mundo não vai acabar, pelo menos por enquanto. Temos os fluxos e os refluxos e eu acredito que tenha muita gente nova e talentosa escondida por aí, pronta pra mostrar o seu trabalho. Por sinal, acredito que a próxima tendência da rapaziada mais esperta será aplicar o do-it-yourself e sentir um arrepio de vergonha em sequer passar pela portaria de uma gravadora oficial. Ta começando a pegar mal ser contratado de gravadora. Os artistas, nesta situação, não escapam do halo que os envolve de meros assalariados.
[Conferir a entrevista na íntegra no sítio do Balacobaco: http://www.geocities.com/SoHo/Lofts/1418/entrevistas.htm]
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 15h16
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