pesa-nervos


Uma pancada, depois outra – por Franklin Alves

 

Rocket to Russia (1977) é o disco dos Ramones de que mais gosto. Uma pancada, depois outra, depois outra. São quatorze pancadas: todas, sem exceção, matadoras. Abre com Cretin Hop, que nos dez segundos iniciais já diz a que veio. E ainda há os clássicos: Rockaway Beach, Sheena is a punk rocker (lembro da Virna, acho que esta é a preferida dela), We´re a happy family (esta eu coloco aqui em casa, sempre), Teenage lobotomy (canção oportuna para os dias de hoje) e a frenética e nervosa regravação de Surfin` bird. Denise, que não gosta muito dos Ramones, gosta muito de Do you wanna dance. Chega de história, o melhor é o que Joey Ramone fala do primeiro disco deles, Ramones (1976), no ótimo livro Please kill me: “A gente fez o álbum em uma semana e gastou só seis mil e quatrocentos dólares – todo mundo ficou surpreso. Naquele tempo, as pessoas não davam, muita bola pra dinheiro. Havia um monte de dinheiro na parada. Dinheiro em circulação para coisas absurdas. Fazer um álbum em uma semana e produzi-lo por seis mil e quatrocentos dólares era inédito, ainda mais um álbum que de fato mudou o mundo. Ele inaugurou o punk rock e deu inicio àquela coisa toda – e também nos lançou”. Fico por aqui, esperando mais pancadas.

 



Escrito por Leão Alves Gandolfi às 19h05
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Poema de Virna Teixeira

 

 

Epitáfio

Here lies one whose name was writ in water

 

O molde, máscara

mortuária,

 

rosto. John

 

Keats,

25 anos

 

viveu

 

neste quarto

estreito

 

bacilos

 

sobre os degraus

da Piazza di

 

Spagna.

 

 

* * *

Virna, três semanas atrás, esteve aqui no Rio. Almoçamos sábado. A conversa se estendeu para o domingo de noite. Num Café em Copacabana, acompanhados de Vanessa, falamos sobre viagens, religião, tradução e música. Ela me leu alguns inéditos seus, coisa nova e muito boa. Antes de ontem, em algum lugar, li algo sobre Keats e lembrei logo desse poema dela que está lá em seu último livro Distância.

                                                                                                                                            LG

 



Escrito por Leão Alves Gandolfi às 20h52
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da série Uma canção só por Franklin Alves

 

Talvez uma canção (penso em All the pictures on the wall, de Paul Weller), uma arte poética, uma lembrança, um livro de capa preta. De Sobre fotografia, de Susan Sontag, selecionei o seguinte trecho:

 

“A época atual é de nostalgia, e os fotógrafos fomentam, ativamente a nostalgia. A fotografia é uma arte elegíaca, uma arte crepuscular. A maioria dos temas tem, justamente em virtude de serem fotografados, um toque de páthos. Todas as fotos são memento mori. Tirar uma foto é participar da mortalidade, da vulnerabilidade e da mutabilidade de outra pessoa (ou coisa). Justamente por cortar uma fatia desse momento e congelá-la, toda foto testemunha a dissolução implacável do tempo”.

 



Escrito por Leão Alves Gandolfi às 19h35
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Dias desses, recebi do Diego Vinhas a Gazua. Cheia de bons poetas e com uma ótima entrevista do dominicano León Felix Batista. Além do Diego, editam a revista Eduardo Jorge, Henrique Dídimo e Júlio Lira.

Eis aqui uma amostra grátis, página 22, o poema de Fabiano Calixto:

L.G.

 

Poema n.12

 

começa o outono

dentro de Baudelaire

 

o céu desta estação

deixa tudo sem fim

 

rasgo outro poema

e fico mais lúcido

 

penso na morte

na certeza que ela tem

 

sento no sofá

perto do incêndio

 

que poderia, agora,

devorar esta dor

 

que mora também

nos livros, nos ladrilhos

 

 

 

Contato: r_gazua@yahoo.com.br



Escrito por Leão Alves Gandolfi às 18h40
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Poetas de Israel – Yehuda Amichai

 

De todos os vazios...

 

De todos os vazios entre os tempos,

de todas as distâncias entre as filas de soldados,

das brechas do tapume,

das portas que fechamos mal,

das mãos que não juntamos bem,

do vazio entre nossos corpos que não apertamos

       um contra o outro –

nasce uma extensão vasta que se desdobra,

uma planície, um deserto,

por onde nossa alma irá sem esperança, depois da morte.

 

 

Do livro Poesia de Israel, com traduções de Cecília Meireles, publicado em 1962 pela editora Civilização Brasileira. Yehuda Amichai também foi traduzido por Haroldo de Campos e Millôr Fernandes. (Franklin Alves).



Escrito por Leão Alves Gandolfi às 18h10
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