Poetas de Israel – Chin Chalom
Nem tudo é tão simples
Nem tudo é tão simples, pelo pátio das casas.
As janelas encaram, dentro do acontecido.
Nas frias construções, no árido pavimento,
cada hora está gravada: cada hora que passa.
Nem tudo é tão simples, entre as quatro paredes:
há qualquer coisa na atitude das estantes,
e a pesada cortina, e o leito que se arruma
curvam-se a um jugo, a um peso de conhecimento.
E em toda a casa são as escadas sombrias.
Por elas descem de manhã, sobem à noite
Criaturas caladas, que fecham suas portas.
Minha alma por elas sofre, minha alma por elas reza.
[Hoje, reproduzimos o segundo parágrafo do prefácio escrito por Cecília Meireles para o livro Poesia de Israel, organizado e traduzido por ela em 1962: “A poesia de Israel – israelita ou israelense, em hebraico ou nos inúmeros idiomas utilizados pelos judeus em sua dispersão pelo mundo – abrande vastos horizontes e alcança grandes altitudes. Da Bíblia aos nossos dias, é incalculável o número que esse povo tem produzido, cada um com mistérios e graças particulares; alguns levados pela fama universal, como um Hofmannstal, um Heine; e alguns em suas torres gloriosas, como, na Idade Média, um Iehudá Halevy e, ainda há pouco, um Biálik.”].
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 21h52
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