
Walt Whitman (1819-1992), um trecho
[...]
Por mim passam muitas vozes mudas há tanto tempo,
Vozes das intermináveis gerações de prisioneiros e escravos,
Vozes dos doentes e desesperados e dos larápios e anões,
Vozes dos ciclos de preparação e crescimento,
E dos fios que conectam as estrelas – e do útero e do sêmen paterno,
E dos direitos dos que são oprimidos pelos outros,
Dos deformados e insignificantes e chatos e imbecis e desprezados,
Da neblina no ar e besouros rolando bolas de estrume.
Por mim passaram vozes proibidas,
Vozes dos sexos e luxurias .... vozes veladas, e eu removo o véu,
Vozes indecentes esclarecidas e transformadas por mim.
[do livro Folhas de Relva (A primeira edição, 1855), com tradução e posfácio de Rodrigo Garcia Lopes, edição bilíngüe, Iluminuras, 2005]
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 16h16
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