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Poemas em inglês
2. Horácio Costa. Poeta contemporâneo sempre em trânsito geográfico. Proximidade, em especial, às culturas mexicana, portuguesa e norte-americana.
Song of the exile
Kennst du das Land wo die Citronen blühen?
Goethe
My land is three hours ahead by satellite.
Intelsat.
Every year it is burnt in my land
one germany, a country which has been
Wilhem II’s and Hitler’s.
In the ever transforming Nature,
carbon dioxide will bloom orchids
in the future forests of Greenland.
The smoke doesn’t prevent the connection.
Click.
Would the silicon birds be canorous,
the ones that repeat the same beep?
In my land no one answers the call.
The telephone rings in the open air
in the Esplanade of the Various State Departments.
It is assisted by three hieratic ornamental
palm trees. Alone in the canicule,
they preserve themselves for the next
auto-da-fé.
(Quadragésimo, 1996)
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 16h00
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Trecho de O último leitor, de David Toscana
[recém-publicado pela Casa da Palavra na coleção Palavra do mundo]
E ENTÃO AS FORMIGAS VERMELHAS e as baratas começaram a proliferar-se com especial ferocidade. […]. Lucio respeita as formigas pela sua vontade de criar seus próprios palácios; em compensação, detesta o oportunismo das baratas, que tomam de assalto qualquer tubulação, caverna, buraco, canal ou amontoado de livros. Mas esse mesmo desprezo o motiva a criá-las e alimentá-las no quarto ao lado, onde joga os livros censurados, pois considera que esse deve ser seu indigno fim. O fogo não lhe parece uma punição adequada; isso dá a um livro oco a utilidade de produzir calor, a notoriedade de se transformar em luz. O inferno deve ser alguma coisa que consuma lentamente, entre urina e goelas que pulverizem com tenacidade capas, orelhas, fotografias de autores e autoras, com a pose de intelectual de uns e o desejo de beleza de outras. Os bichos terão de regurgitar prêmios, conquistas e, sobretudo, elogios falsos, uma das maiores obras, mostra da enorme qualidade literária, um lugar privilegiado nas letras, pode ingressar no templo dos grandes escritores, sua obra ocupa um lugar de destaque e tantas outras tentativas de empurrar livros sem motor próprio. […] Lucio tem hoje outro livro para o inferno, outra mostra de formidável glosa espanhola, A verdade sobre os amantes, de Ricardo Andrade Berenguer, literato, crítico, jornalista, musicólogo e cineasta que considera mais importante o modo como o seu protagonista aproxima o cigarro do cinzeiro, as espirais de fumaça e o jazz ao fundo, que revelar de fato alguma verdade sobre os amantes. Aproxima-se da porta e abre a cortininha. Ouve as bocas dos insetos mordendo o papel.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 16h06
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Poemas em inglês
Em posts passados falamos daqueles que mudam de idioma: Nabokov, Beckett, Brodsky e no âmbito da língua portuguesa autores como o chinês Yao Jingming e seus poemas; o italiano Antonio Tabuchi em uma novela: Réquiem; o argentino Aníbal Cristobo com um poema apenas (Samuel Rawet, parece, não entra na lista). Agora procuramos poetas de língua portuguesa que, em certo momento, escreveram em inglês, um leve, doce e às vezes estrangeiro inglês. As razões podem ser muitas, todas argumentáveis. Quem quiser que arrisque uma tradução. (L.G.)
1. José Albano. Ótimo poeta do início do séc.XX que, quando não foi Camões, foi Shakespeare.
II
When I look back on days that are no more
And think of hopes and dreams that now are dead,
To my sad soul, with sorrow surfeited,
Fain would I that past happiness restore.
And whilst the cruel Fates from these eye-lids red
Rush like swift rivers in a narrow bed
Or like tempestuous waves upon the shore.
Oh memory, why dost thou make me sigh
For what once gave me joy, but now gives pain,
Those fancies and illusions born to die?
My former state I can no more regain
And if I dreamt and hoped in times gone by,
Ne’er will I dream, alas! Or hope again.
(Four sonnets with Portuguese prose-translation, 1918)
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 16h02
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P.S. poema escrito originalmente em português por Aníbal Cristobo
Das quatro, uma
tem os sapatos negros e bebe
limonada; a que está à minha
esquerda, maracujá, e não é
Joana ou Marília; e nem
Mariana
tem lábios manchados pelo suco
de uva, nem leva
o vestido de bolinhas vermelhas. Isidora
não pediu pera: pera
unicamente eu; e disse, ou
pensei: ”como é bom
estar aqui e como
que seja agora”. Nessa disposição
estou de costas para a rua e não vejo
as luzes dos carros que passam pela jardim botânico, mas
as cores dos sucos, os
sorrisos, o
gosto.–
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 15h54
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Trecho de Menos que um – livro de ensaios de Joseph Brodsky
Por alguma estranha razão, a expressão “morte de um poeta” sempre soa mais concreta do que “vida de um poeta”. Talvez porque tanto “vida” como “poeta” sejam palavras quase sinônimas, de tão positivamente vagas. Por outro lado, “morte” – mesmo enquanto palavra – é quase tão definida quanto a própria produção do poeta, ou seja, o poema, cujo traço principal é o derradeiro verso. A obra de arte, consista no que consistir, corre sempre para o final, que define a sua forma e lhe nega a ressurreição. Depois do verso final de um poema não vem mais nada, só a crítica literária. Assim, sempre que lemos um poeta, participamos da sua morte, ou da morte de sua obra.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 14h21
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