
A tumba de Edgar Poe – Mallarmé
[tradução de Augusto de Campos, com fotografia de Nadar]
Tal que a Si-mesmo enfim a Eternidade o guia,
O poeta suscita com o gládio erguido
Seu século espantado por não ter sabido
Que nessa estranha voz a morte se insurgia!
Vil sobressalto de hidra ante o anjo que urgia
Um sentido mais puro às palavras da tribo,
Proclamaram bem alto o sortilégio atribu-
Ìdo à onda sem honra de uma negra orgia.
Do solo e céu hostis, ó dor! Se o que descrevo –
A idéia sob – não esculpir baixo-relevo
Que ao túmulo de Poe luminescente indique,
Calmo o bloco caído de um desastre obscuro,
Que este granito ao menos seja eterno dique
Aos vôos da Blasfêmia esparsos no futuro.
Escrito por Leão Alves Gandolfi às 18h36
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